quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A virada


Valle de La Luna
Foto: Marina Mercante

Dia 6 (31/12) - continuação

Dia em San Pedro

O dia foi movimentado! Às 16h, começou o passeio para o Vale da Lua, a 16km de San Pedro. Dessa vez, o guia era um cara meio estranho e falava mal de brasileiros. Mas enfim, nada que abalasse nossa diversão. O local é o mais parecido com a ideia que temos de deserto, com dunas de areia para todos os lados, um sol a pino e ventos que formam redemoinhos em várias partes. Assistimos ao pôr do sol em cima de uma das dunas. Há formações rochosas peculiares, como a Tres Marias, um rochedo de pontas, e o Anfiteatro, que, como o nome sugere, remete a uma arena. Antes disso, ainda tivemos direito a um passeio dentro de uma caverna bem apertada - os guias disponibilizam lanternas. Lembre-se: leve muita água, óculos de sol e chapéu para este passeio.


"Chi chi chi
Le le le
Viva el Chile!"

O retorno para San Pedro foi às 21h30. Nao tínhamos reservado ceia e TODOS os restaurantes estavam lotados. A solução foi comer um sanduíche bem mais ou menos no La Pica de Michel (ver post anterior). Pelo menos conseguimos comprar algumas garrafas de Pisco Sour, para nos acompanhar no Brazilian Day edição Atacama 2010. O evento, organizado por nós mesmos, foi um sucesso de público. Começou tímido, com os siete colores (vulgo: nós) e um violão na praça da cidade. Logo a música chamou a atenção dos brasileiros e, em seguida, dos chilenos borrachos... Enfim, a noite acabou às 4h, após vários pedidos de músicas "super" atuais, como La boquita de la botella (vulgo: Na boquinha da garrafa) e Bebete "Bambora". Para completar, um emo chileno tratou de tocar músicas pop locais... então tá!

Uma tradição interessante dos chilenos na virada do ano é a tortura e a queima de bonecos de pano que simbolizam o mal do ano que passou.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O frio cortante


Geyser El Tatio - Deserto do Atacama
Foto: André Pansonato


"Esse frio acaba com o moral de qualquer homem!"
Heitor, o bombeiro


Dia 6 - 31/12 - 1ª parte


Dia em San Pedro

Nosso primeiro passeio agendado no deserto era conhecer os Geysers El Tatio, a 4.300m de altitude. O ônibus da agência nos pegou no hostal às 4h. Nao foi muito fácil acordar. O cansaço já estava forte. A dona do Hostal, Ester, deixou nosso café pronto para levarmos no passeio. Ela é muito gentil. Café: sanduíche pão com queijo, iogurte e suco de laranja de caixinha (aliás, foi esse mesmo café da manhã todos os dias).

Foram duas horas de viagem no ônibus para chegar aos geysers (94km). No final do percurso, a nossa guia, uma francesa com cara de hippie, mandou a frase fatal: "a temperatura lá fora é de 8 graus negativos". Assim começou o desespero dos cuiabanos e da candanga acostumada ao calor amazonense. A maioria de nós estava com calça de tactel e moleton... "Ainda bem que eu fui malandro e coloquei uma cueca e uma blusa por baixo do moleton", ressaltou Heitor, com os lábios roxos e os dedos praticamente congelados.

A agência havia recomendado que fôssemos bem agasalhados e levássemos roupa de banho. Acho que a maioria levou mais a sério a parte da roupa de banho. Ainda bem, assim as toalhas viraram cachecóis. O frio era muito intenso, tanto que os dedos dos pés e das mãos endureceram.

Apesar da sensação térmica "agradável", os geysers são muito interessantes. São buracos no chão que jorram água muy caliente. Em resumo, essa água vem do encontro da lava inativa de dentro do vulcão com os lencóis freáticos que fervem e que, por causa da pressão, vão direto para a superfície. Essa atividade cessa por completo por volta das 10h. Por isso a necessidade de chegar bem cedo ao local. São dezenas de geyseres, de vários tamanhos e intensidades. Com gelo nos ouvidos, confesso que foi difícil ouvir todas as explicações da guia francesa. O local tem muito vapor e o cheiro de enxofre é fortíssimo. Durante o passeio, a temperatura baixou mais um pouquinho: bateu 12 graus negativos! Vale a dica: não subestime a temperatura... ah, e leve água para beber.

Lá mesmo tomamos um café da manhã oferecido pela agência. Café com leite e chocolate quente esquentados nos próprios geysers, além de pão seco com queijo. Aliás, nos pareceu um costume da região: comer pão bem seco apenas com uma fatia de queijo.

Fizemos uma segunda parada para observar mais geysers e algumas lagunas termais. Mas só uma pessoa do nosso ônibus teve coragem de tirar a roupa e entrar na água - claro, nao foi do nosso grupo. A partir daí o sol começou a aparecer e o frio desistiu de tentar nos matar... À medida que a temperatura vai subindo e o sol surgindo, formam-se contraluzes no local. A fumaça que brotam do chão ficam com uma altura ainda maior. O cenário é espetacular.

No caminho de volta passamos por paisagens belíssimas. Vimos bichos que vivem em altitudes elevadas. Entre eles, havia uma mistura de coelho com esquilo e as vicunhas (parecem o bambi). Essas, sem nenhum pudor, acasalavam nos arredores da estrada.

Fizemos uma parada também em um pitoresco povoado chamado Machuca. Lá tem um monte de casinhas de adobe, mas só moram seis habitantes, que estavam vendendo espetinho de lhama pra gente. O local vive em função do turismo. Voltamos no ônibus meio dormindo, meio ouvindo as explicações da francesa.

Chegamos ao hotel por volta das 13h. Um pouco mais tarde do que o combinado pela agência. Aliás, todos os passeios que fizemos atrasaram a hora da volta. Tomamos banho e fomos para a cidade telefonar e almoçar. Neste dia conhecemos o restaurante "La Pica de Michel". Que nos acompanhou por toda a viagem...





Foto: Marina Mercante

A chegada

Dia 5 (30/12)

Purmamarca - San Pedro de Atacama (400 e alguns km)

Após mais um café da manha continental, com direito a chá de coca, saímos de Purmamarca às 11h. O destino era, finalmente, a cidade de San Pedro do Atacama, base para explorar o deserto. O trecho, pela Ruta 52, tem menos de 500 km. É pouco, mas sabíamos que seria demorado, já que é um caminho maravilhoso e teríamos de parar várias vezes para fotografá-lo. A estrada começa com montanhas gigantescas, de cores diversas. O carro sobe pela Cuesta del Lipán, um ziguezague de estradas, em forma de serpente, com curvas muito fechadas e, em geral, abismos do lado direito.

Cuesta del Lipán, nas proximidades da fronteira com o Chile
Foto: Marina Mercante


Os automóveis também sentem os efeitos da altitude (chegamos a 4.170 metros acima do nível do mar) e, em algumas partes, não passam de 40km/h. Isso com o pé afundado ao máximo no acelerador. Outra surpresa extremamente agradável foi a passagem pelas Salinas Grandes, um deserto de sal na beira da rodovia - ali existiu uma lagoa que secou e converteu-se na capa salgada de 1.500 km2. É lindo, brilhante e divertido, como todo deserto de sal :) Acho que a imensidão branca mexe com a seriedade de qualquer ser humano. Veja o exemplo abaixo!

Salinas Grandes
Foto: Marina Mercante


Também cruzamos com lhamas super educadas e com o imponente vulcão Licancabur (já no Chile), uma espécie de entidade sagrada que protege os menos de 500 habitantes de San Pedro. A entrada no Chile foi tranquila. Carimbamos os passaportes e apresentamos os documentos dos respectivos carros. Ainda tivemos de passar as bagagens por uma esteira. Sem stress... tirando o fato de eu quase ter esquecido minha bolsa por lá. Tudo bem, culpa do cansaço e da fome! San Pedro do Atacama tem menos de 5 mil habitantes e fica nas proximidades da Cordilheira dos Andes. Dizem que é o melhor ponto-base para desvendar o deserto.

Foto: Marina Mercante

Quando chegamos, já era noite e, por isso, foi mais chato para achar o centrinho da cidade. Mas ela é tão pequena que não demoramos tanto. Fomos direto à agência de turismo Atacama Connection, na qual os passeios dos três dias seguintes já estavam reservados. Como havíamos transferido do Brasil a metade do valor (pela Western Union), era a hora de pagar o restante. O problema foi que a cidade estava lotada (inclusive de brasileiros) e as casas de câmbio já estavam com pouquíssimos pesos chilenos. Pagamos a maior parte em dólar e deixamos para trocar o dinheiro no dia seguinte. Depois coloco aqui os preços dos passeios - Geyser El Tatio, Valle de la Luna, Laguna Cejar e Lagunas Altiplânicas.

Ainda na correria (férias para descansar? o que isso significa?), fomos ao hostal El Monte, que também estava reservado. É um pouco afastado, mas muito legal. A dona do local, Ester Salvatierra, esperava por nós. Os quartos são pequenos, mas quentinhos e arrumados. Há ainda internet na sala de estar e é possível lavar roupa a 5.000 pesos chilenos. Por fim, voltamos ao centro para jantar. Nesta viagem, sempre comemos tarde e com muita fome. Resultado: sempre saímos dos restaurantes "daquele jeito", de taaaaanto comer! Além do mais, descobrimos que todo prato individual serve para duas pessoas. E, quando quisemos dividir, não foi suficiente! rs

Dormimos logo porque no dia seguinte teríamos de estar de pé às 4h da madruga!!! Nem imaginávamos o que vinha pela frente...

-> Preços dos passeios pela Atacama Connection:
Total: 71.000 pesos chilenos por pessoa
Geyser El Tatio: 20.000 + 3.500 (entrada)
Valle de la Luna: 8.000 + 2.000 (entrada)
Laguna Cejar, Ojos del Salar e Laguna Tebinquinche: 15.000 + 2.000 (entrada)
Lagunas Altiplanicas + Salar de Atacama: 28.000 + 6.000 (entrada)

Obs.: as entradas são pagas nos dias dos passeios, é preciso levar o dinheiro trocado.
Obs.2: Todos esses passeios são feitos em vans da agência. Nossos carros ficaram no hostal, que tinha estacionamento. Para se locomover na cidade, também não é preciso carro. O El Monte é meio distante do centro, mas se houver disposição para andar, sem problemas.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A quebrada de Humahuaca

S10 pronta para mais um dia de viagem
Foto: Marina Mercante
Dia 4 - 29/12

San Salvador de Jujuy - Humahuaca - Purmamarca (135 km)
Pela manhã, os três mosqueteiros foram atrás de uma autopeças para trocar a lâmpada direita da S10, que havia queimado. Após eu e a Naty acordarmos no susto (mais eu, confesso) por causa do sino da catedral tocando ao lado do hotel, arrumamos as malas para seguir viagem. Mais uma vez, o café da manhã foi continental. É mania por aqui. Eles trazem tudo de uma vez e a gente fica sonhando com frutas e mais suco de laranja... o suco costuma ser apenas uma "amostra grátis"!

Carro consertado, malas prontas e mapa na mão, seguimos para Purmamarca, uma cidadezinha com menos de 500 habitantes, ao norte de Jujuy. O trajeto foi rápido, pela Ruta 9, com apenas 65 km de distância. A estrada é muito interessante, com morros esverdeados e enormes.



Chegamos a Purmamarca antes de meio-dia. Aproveitamos para tirar fotos em frente ao Cierro de Siete Colores, uma montanha colorida que fica bem no meio da cidade e muda de cor conforme o horário, por causa da luz do sol. É um cartão postal puro, nem precisa de retoques.


Cierro de Siete ColoresFoto: André Pansonato
Cierro de Siete Colores "boys band"Foto: André Pansonato

"Eu moraria em Purmamarca - por uns seis meses"
Natália Lambert

Decidimos por ficar no hostal Posta de Purmamarca (90 pesos por pessoa), que se mostrou uma ótima escolha. Os quartos são limpos e bem decorados. O quádruplo é extremamente amplo, já o triplo nem tanto. E sim, o café da manhã é continental. Deixamos a bagagem e seguimos para Maimará, Tilcara e Humahuaca. Todas fazem parte da chamada Quebrada de Humahuaca, uma região com montanhas coloridas e cactos gigantes. Foi um dia de empolgação total. Ficamos impressionados com as imagens que estavam na nossa frente. E aqueles povoados perdidos no meio de uma imensidão, como se fossem cidades abandonadas... lindo.

Em Humahuaca contratamos um guia por 40 pesos para que nos levasse a um cacto com 11 metros de altura e mais de 1100 anos de existência e a um lugar com pinturas rupestres. O guia era meio doido, mas valeu a experiência. Na volta, procuramos a Paleta del Pintor, uma coleção de montanhas coloridas, com jeitão de pintura mesmo.
Paleta del Pintor, ao lado do povoado de Maimará
Foto: Marina Mercante
À noite, enquanto eu pagava para gravar minhas fotos no pen drive - não trouxe o cabo da máquina e o hostal não tinha internet -, aproveitamos para jogar Foda-se (jogo de baralho) e tomar uma cerveja Salta. O dia, em resumo, foi lindo. Daqueles que a gente lembra como é bom estar vivo para ver alguns lugares bem de pertinho...

A reta

Foto: André Pansonato


- "Sabem de uma coisa? Estamos mais perto do Japão." Com esta frase, a Carol resumiu nosso terceiro dia de viagem: uma reta sem fim em direção ao oeste da Argentina. Aliás, pérolas resultantes do cansaço e da ansiedade foram frequentes. São alucinações divertidas que a estrada nos proporcina.

Dia 3 - 28/12

Resistencia - San Salvador de Jujuy (900km)

Aqui tínhamos um longo caminho pela frente - de Resistencia a Salta, pela RA 16. Pelas nossas contas, foram quase 900 km em uma reta sem fim. Saímos cedo para render o dia na estrada, mas não funcionou muito. Nos perdemos demais na saída de Resistencia. As informações que nos davam eram desencontradas e o mapa não ajudou. No fim, descobrimos o motivo da confusão: há duas saídas nos dois extremos da cidade, e ambas levam à mesma estrada. Perdemos um tempinho nesta brincadeira...


Namorada que o Abu arrumou em Resistencia
Foto: André Pansonato


Em nossas pesquisas, lemos que nesta reta há poucos postos de gasolina. A recomendacão, portanto, é de que os viajantes abasteçam sempre que encontrarem um. Logo no primeiro, paramos na bomba e o Heitor pediu, com sotaque espanhol, "gasolina". O homem do posto entendeu "gasoil", o que na Argentina significa diesel. Lógico que descobrimos isso somente depois de o frentista encher o tanque do "Águia negra" com 90 pesos de diesel. Perdemos mais um tempo tirando o "gasoil" do carro dos meninos...

Mutirão para empurrar a S1o do Heitor


Ah! A informação sobre a quantidade de postos nos pareceu um pouco desatualizada. Avistamos postos a cada 200 km, aproximadamente. De qualquer forma, é bom evitar riscos, já que alguns postos podem estar desativados ou sem combustível...

O dia na estrada foi tranquilo para a maioria. A reta parece sem fim e, aos poucos, a paisagem da província de Chaco começou a se parecer com um deserto. Para mim, não foi muito bom. Algo aconteceu por dentro que passei mal o caminho todo, o que aumentou também o número de paradas na estrada.

Fim do dia - Íamos até Salta, mas por termos perdido uma entrada na estrada, descobrimos que era mais viável dormir em San Salvador de Jujuy, na província de Jujuy. Ao chegarmos, ficamos impressionados com a cidade. Às 23h, o movimento era intenso. Crianças fazendo dancinhas típicas na Praça Belgrano, adultos em volta aplaudindo, jovens, idosos, mulheres, enfim, todos andando de um lado pro outro. Depois dizem que São Paulo é uma cidade que não dorme. É porque não conhecem Jujuy.

"Eu moraria em Jujuy"
Carol

Ficamos hospedados de frente para a praça, no Hotel Internacional de Jujuy. Não era 100%, mas foi o melhor custo benefício que encontramos. Tudo lá é muito encarpetado. A vantagem é que o quarto quádruplo é dividido em duas partes, o que permite mais espaço para a acomodação das bagagens e o trânsito dos hóspedes. O banheiro é bom e o café da manhã, ok.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A propina

"She-ra" mandando ver na estrada
Foto: André Pansonato




Dia 2 (27/12)

Puerto Iguazu - Resistencia (640 km)

No café da manhã, hora de experimentar o desayuno continental - pão, doce de leite, manteiga, suco de laranja, café e leite. Frutas? Não tem, o jeito é se acostumar sem elas! Trocamos o dinheiro na casa de câmbio - nos pareceu mais vantajoso trocar dólares por pesos argentinos, mas não há problemas em trocar reais. Atualmente, o peso argentino equivale a R$ 0,50 (valor aproximado).

Na fronteira, até tentamos pegar uma autorização para o ingresso com o carro no país, mas os aduaneiros não sabiam de nada. Mais na frente, ao entrarmos no Chile, descobrimos que realmente não é preciso ter esse documento. Passaportes carimbados, mostramos a Carta Verde e a autorização da financiadora - no caso do carro da Carol. A Laila e os meninos, que entraram com RG, ficaram com um papelito dos argentinos.

Na estrada - Em nossas pesquisas, lemos muito sobre a corrupção dos policiais argentinos, especialmente na província do Chaco. Ela é real e muito irritante. Mas nosso problema ocorreu antes, ainda na província de Missiones. Entre Puerto Iguazu e Resistencia rodamos 640km, pela RA 12, com saída às 14h40 e chegada meia-noite. É uma estrada longa e cansativa. O atraso foi maior por conta das cinco ou seis paradas policiais que tivemos. Eles não podem ver placas de carro do Brasil que se empolgam!

Logo após uma dessas paradas, na saída de Santa Ana, cometemos uma "pequena" infração - ultrapassamos um ônibus em faixa contínua. Mas todos estavam fazendo a mesma coisa, inclusive uma viatura que foi atrás da gente, com dois policiais! Eles queriam que voltássemos à cidade anterior para assinarmos a multa. Mas era domingo e teríamos de dormir lá. Depois de rasgar muito o "portunhol", veio o diálogo fatal:

Marina: "¿Podemos pagar aqui?"
Policial: "Ustedes tienen una segunda chance. Nosotros recebemos una porcentagem"
Marina: ¿Cuánto es?
Policial: 150 pesos por auto.

Ele havia dito que a multa seria de 600 pesos para cada carro... enfim, como havíamos errado mesmo, optamos por pagar o que tínhamos. Juntamos nossos trocados, demos 110 pesos pelos dois carros e seguimos viagem. Não depois de ouvir um sermãozinho do policial, claro.

Mais atentos às leis de trânsito, conseguimos chegar até Resistencia. Vinte quilômetros antes, está a cidade de Corrientes. As duas são separadas apenas pela bonita ponte General Belgrano. Lá, mais uma parada policial - dessa vez apenas da TR4. O guarda insistiu que tínhamos furado o sinal vermelho. Mas tínhamos certeza absoluta de que isso nao havia acontecido. Dissemos um NÃO uníssono, a Carol pediu a filmagem da infração e o espertinho, sem ter o que fazer, nos liberou.

Um pouco antes disso, quando a noite já havia chegado, enfrentamos uma chuva de insetos. Eles invadiram o carro e morriam, aos montes, no vidro dianteiro. Parecia filme de terror! ;) Mas não é algo para desespero completo, já que é possível parar em um posto e dar uma lavadinha, mesmo que os insetos reapareçam cinco minutos depois...

Chegamos a Resistencia fisica e moralmente cansados. Ainda tivemos de ralar um pouco para encontrar o Hotel Covadonga, uma sugestão do Guia O Viajante. O hotel é caro (113 pesos por pessoa), fica em um prédio velho e os quartos pecam pela sujeira. Não recomendamos. Apesar disso, vale saber que ele é um dos melhores da cidade - se não for o melhor. Mas se puder escolher, hospede-se na vizinha Corrientes.


Foto: André Pansonato

Na estrada, contemplamos um pôr-do-sol fantástico. Compensou todos os obstáculos do dia.

La bella luna

Em frente à Garganta do Diabo, sob lua cheia
Foto: Carol, Abu ou Heitor

Dia 1 (26/12) - continuação

Demoramos cerca de uma hora para passar pela fronteira (mas ainda não fizemos os trâmites de ingresso no país, pois voltaríamos no dia seguinte). O cara só carimbou os passaportes e os RGs. Enquanto íamos ao hotel La Cabaña (já reservado), o Heitor aprendeu que na Argentina é proibido ultrapassar "la luz roja"! Levou uma multa de 1080 pesos argentinos (cerca de 600 reais) por ultrapassar o semáforo fechado.

O hotel, administrado por um casal, é razoável. Limpo, bem localizado e aconchegante. Apenas o box do banheiro deixa a desejar. Ah, e o colchão é muito mole. O bom é que ele fica um pouquinho distante do centro, consequentemente, do barulho. Pagamos 65 pesos argentinos por pessoa na diária. Foram um quarto quádruplo e outro triplo. Aqui, eu havia feito uma reserva pelo site Hospedata - de hospedagem na Argentina. Paguei com o cartão de crédito apenas 5% do valor total e o restante demos pessoalmente.


Foto: André Pansonato


Somente deixamos as malas e corremos para o Parque argentino. Ver a Garganta do Diabo sob a luz da lua cheia foi fantástico. A lua nao estava 100% completa, mas valeu a pena. Recomendamos. As imagens ficaram apenas na memória, pois nao havia luz suficiente para fotografar.

Jogatina - Depois de tanta correria, uma última "missão": conhecer um cassino da cidade. O Grand Cassino Iguazu é lindo e parece filme - comentário de quem nunca tinha estado em um! Para não sairmos em branco, jogamos em máquinas caça-níquel e apostamos apenas uma ficha na roleta... para o grupo todo, só para constar. Não vencemos, mas foi emocionante!