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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A missão

Missão jesuítica de San Ignacio Mini
Foto: Marina Mercante

Dia 14 (8/1)

Corrientes - Puerto Iguazu (622 km)

Por estarmos em um hotel maravilhoso, resolvemos dormir até mais tarde um pouco. Tomamos um café da manhã em estilo self-service, mas nada que nos surpreendesse - medias lunas e o básico do café argentino. Vimos em um panfleto que Corrientes tem um museu de artesanato no centro. Chegamos lá empolgadas pra comprar, mas só havia uma lojinha vendendo coisas sem muita graça.

Seguimos para Puerto Iguazu. A viagem foi tranquila. A estrada estava melhor e o sol voltou a aparecer. No caminho, dois policiais de trânsito nos pararam interessados em conseguir alguma grana pro cafezinho, mas como já estávamos descoladas, não deu certo. Pediram para ver os equipamentos de segurança - triângulos. Muito solícitas, saímos as quatro do carro falando que tínhamos dois. Abrimos o porta-malas lotado e as coisas começaram a cair no chão ... uma trapalhada. Quando o guarda percebeu que era necessário tirar todas as bagagens, desistiu e nos mandou ir embora.

Missiones - Fizemos uma parada na cidade de Posadas para visitar a Missão Jesuítica de San Ignacio Mini. Segundo o guia local, das onze missões existentes na Argentina, esta é a que se encontra mais conservada. Dotada de aparatos tecnológicos, a San Ignacio é muito bem estruturada e conta a história da catequização dos índios guaranis. Foi muito interessante.

Em Puerto Iguazu dormimos na mesma hostería – a La Cabaña. O dono do local, Seu Juan, nos reconheceu, ficou feliz com o nosso retorno e deu até um descontinho - o quarto quádruplo saiu por 200 pesos (sem desconto, seriam 240).

domingo, 10 de janeiro de 2010

A Costanera

Dia 13 (7/1)

Santiago del Estero - Corrientes (630 km)

Um taxista camarada nos ajudou a sair de Santiago del Estero. A ruta 34, que leva à província de Chaco, tem trechos muito ruins. Para complicar, a chuva demorou a dar trégua. Mas a viagem foi tranquila. Em uma cidadezinha chamada Taboada, é preciso virar à esquerda para tomar a ruta 89, na qual o asfalto melhora consideravelmente.

Para terminar, antes de Avia Teray, pega-se a ruta 16 (aquela reta "interminável" da viagem de ida). Uma volta em Resistencia foi suficiente para captar a mensagem das esculturas espalhadas pela cidade. Elas podem estar em qualquer rua e não impressionam pela grandeza. Mas enfim, tudo pelo currículo, novamente. Como estava cedo, decidimos ir até Corrientes.

"Eu moraria em Corrientes"
Carol

A cidade é muito agradável, de fato. Banhada pelo Rio Paraná, possui uma avenida Costanera, cheia de cassinos, bares e restaurantes. Tem até quiosques no calçadão. Uma graça. O centro, por outro lado, é tumultuado demais, mas "dá naaaaada".

Vista do Rio Paraná a partir da Costanera
Foto: Marina Mercante

Eis que encontramos o hotel Top 5 da viagem: o La Rozada. A diária é salgada (480 pesos), mas valeu pelo descanso e pelo banho maravilhoso. Na verdade, trata-se de um apart hotel. Tem cozinha e dois banheiros.

Top 5 também no jantar. Atendimento bom, crepe delicioso e a ótima cerveja Patagônia. Mas não nos lembramos do nome do restaurante, uma pena :/

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A propina

"She-ra" mandando ver na estrada
Foto: André Pansonato




Dia 2 (27/12)

Puerto Iguazu - Resistencia (640 km)

No café da manhã, hora de experimentar o desayuno continental - pão, doce de leite, manteiga, suco de laranja, café e leite. Frutas? Não tem, o jeito é se acostumar sem elas! Trocamos o dinheiro na casa de câmbio - nos pareceu mais vantajoso trocar dólares por pesos argentinos, mas não há problemas em trocar reais. Atualmente, o peso argentino equivale a R$ 0,50 (valor aproximado).

Na fronteira, até tentamos pegar uma autorização para o ingresso com o carro no país, mas os aduaneiros não sabiam de nada. Mais na frente, ao entrarmos no Chile, descobrimos que realmente não é preciso ter esse documento. Passaportes carimbados, mostramos a Carta Verde e a autorização da financiadora - no caso do carro da Carol. A Laila e os meninos, que entraram com RG, ficaram com um papelito dos argentinos.

Na estrada - Em nossas pesquisas, lemos muito sobre a corrupção dos policiais argentinos, especialmente na província do Chaco. Ela é real e muito irritante. Mas nosso problema ocorreu antes, ainda na província de Missiones. Entre Puerto Iguazu e Resistencia rodamos 640km, pela RA 12, com saída às 14h40 e chegada meia-noite. É uma estrada longa e cansativa. O atraso foi maior por conta das cinco ou seis paradas policiais que tivemos. Eles não podem ver placas de carro do Brasil que se empolgam!

Logo após uma dessas paradas, na saída de Santa Ana, cometemos uma "pequena" infração - ultrapassamos um ônibus em faixa contínua. Mas todos estavam fazendo a mesma coisa, inclusive uma viatura que foi atrás da gente, com dois policiais! Eles queriam que voltássemos à cidade anterior para assinarmos a multa. Mas era domingo e teríamos de dormir lá. Depois de rasgar muito o "portunhol", veio o diálogo fatal:

Marina: "¿Podemos pagar aqui?"
Policial: "Ustedes tienen una segunda chance. Nosotros recebemos una porcentagem"
Marina: ¿Cuánto es?
Policial: 150 pesos por auto.

Ele havia dito que a multa seria de 600 pesos para cada carro... enfim, como havíamos errado mesmo, optamos por pagar o que tínhamos. Juntamos nossos trocados, demos 110 pesos pelos dois carros e seguimos viagem. Não depois de ouvir um sermãozinho do policial, claro.

Mais atentos às leis de trânsito, conseguimos chegar até Resistencia. Vinte quilômetros antes, está a cidade de Corrientes. As duas são separadas apenas pela bonita ponte General Belgrano. Lá, mais uma parada policial - dessa vez apenas da TR4. O guarda insistiu que tínhamos furado o sinal vermelho. Mas tínhamos certeza absoluta de que isso nao havia acontecido. Dissemos um NÃO uníssono, a Carol pediu a filmagem da infração e o espertinho, sem ter o que fazer, nos liberou.

Um pouco antes disso, quando a noite já havia chegado, enfrentamos uma chuva de insetos. Eles invadiram o carro e morriam, aos montes, no vidro dianteiro. Parecia filme de terror! ;) Mas não é algo para desespero completo, já que é possível parar em um posto e dar uma lavadinha, mesmo que os insetos reapareçam cinco minutos depois...

Chegamos a Resistencia fisica e moralmente cansados. Ainda tivemos de ralar um pouco para encontrar o Hotel Covadonga, uma sugestão do Guia O Viajante. O hotel é caro (113 pesos por pessoa), fica em um prédio velho e os quartos pecam pela sujeira. Não recomendamos. Apesar disso, vale saber que ele é um dos melhores da cidade - se não for o melhor. Mas se puder escolher, hospede-se na vizinha Corrientes.


Foto: André Pansonato

Na estrada, contemplamos um pôr-do-sol fantástico. Compensou todos os obstáculos do dia.