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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A separação

Notícia do dia: Sandro está muy mal

Dia 9 (3/1)

San Pedro - Salta (630km)

Em San Salvador de Jujuy, conhecemos um mineiro durante o café da manhã que nos sugeriu uma passagem por Cafayate e pelas Ruínas de Quilmes. Para isso, teríamos de ir mais ao sul de Salta. Depois de muito conjecturar, decidimos aplicar mudanças ao roteiro. Foi então que cortamos um dia de estada em San Pedro. "Cortamos" também relações com a equipe Pantanal I. Seus integrantes, mais à toa que a gente, seguiram para Córdoba e Buenos Aires - tudo para tirar uma foto da bandeira do Mixto no La Bombonera.

A passagem pela fronteira foi rápida, bem como a pela aduana argentina. É preciso devolver a autorização do ingresso das pessoas e do veículo no país. Não revistaram o carro - nossos pisco sours ficaram intactos!

Voltamos a Purmamarca pela Cuesta del Lipán e a admiração foi ainda maior. Os olhos não se cansam de ver aquelas imagens. Há cactos gigantes e montanhas de cores diversas. É como estar dentro de uma maquete gigante. A estrada é em caracol, mas o retorno foi bem mais simples que a ida, já que estávamos em descida. Conseguimos manter uma média de 60km/h. Na ida, em alguns trechos, o carro não passou de 20km/h.



Bastante espaço para os carros passarem
Foto: Marina Mercante

"Esta estrada parece a pista do Mãe Bonifácia (parque cuiabano)"
Laila

Em Purmamarca, pausa para compras. Percebemos que o artesanato de lá, em geral, é similar ao de San Pedro. E muito mais barato. Então, fizemos o trecho entre Jujuy e Salta pela Ruta 9, na placa que dizia "por la corniza". Só depois descobrimos o que era. Uma estrada de mão dupla com espaço para apenas um carro e, pasmem, com faixa contínua! Ela contorna a montanha, na beira de um abismo (a tal corniza). É lindo. Há pessoas fazendo piquinique na beira da rodovia, além de vacas e cavalos desfilando pelo local. Cenário de filme, mas que dá medo, dá. Percorremos 186 km em 3h e meia.

Em Salta, dormimos no Plaza Hotel Salta, bem em frente à Plaza 9 de Julio. 300 pesos por um quarto quádruplo. É antigo, mas é limpo e o quarto é espaçoso. Não tem estacionamento, mas é possível deixar o carro em uma garagem na quadra ao lado, por 30 pesos a diária. Só um detalhe: eles dizem que tem internet, mas é blefe. Nunca funciona. Os computadores do norte argentino (pelo menos aqueles que conhecemos) ainda estão na geração 386.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A chegada

Dia 5 (30/12)

Purmamarca - San Pedro de Atacama (400 e alguns km)

Após mais um café da manha continental, com direito a chá de coca, saímos de Purmamarca às 11h. O destino era, finalmente, a cidade de San Pedro do Atacama, base para explorar o deserto. O trecho, pela Ruta 52, tem menos de 500 km. É pouco, mas sabíamos que seria demorado, já que é um caminho maravilhoso e teríamos de parar várias vezes para fotografá-lo. A estrada começa com montanhas gigantescas, de cores diversas. O carro sobe pela Cuesta del Lipán, um ziguezague de estradas, em forma de serpente, com curvas muito fechadas e, em geral, abismos do lado direito.

Cuesta del Lipán, nas proximidades da fronteira com o Chile
Foto: Marina Mercante


Os automóveis também sentem os efeitos da altitude (chegamos a 4.170 metros acima do nível do mar) e, em algumas partes, não passam de 40km/h. Isso com o pé afundado ao máximo no acelerador. Outra surpresa extremamente agradável foi a passagem pelas Salinas Grandes, um deserto de sal na beira da rodovia - ali existiu uma lagoa que secou e converteu-se na capa salgada de 1.500 km2. É lindo, brilhante e divertido, como todo deserto de sal :) Acho que a imensidão branca mexe com a seriedade de qualquer ser humano. Veja o exemplo abaixo!

Salinas Grandes
Foto: Marina Mercante


Também cruzamos com lhamas super educadas e com o imponente vulcão Licancabur (já no Chile), uma espécie de entidade sagrada que protege os menos de 500 habitantes de San Pedro. A entrada no Chile foi tranquila. Carimbamos os passaportes e apresentamos os documentos dos respectivos carros. Ainda tivemos de passar as bagagens por uma esteira. Sem stress... tirando o fato de eu quase ter esquecido minha bolsa por lá. Tudo bem, culpa do cansaço e da fome! San Pedro do Atacama tem menos de 5 mil habitantes e fica nas proximidades da Cordilheira dos Andes. Dizem que é o melhor ponto-base para desvendar o deserto.

Foto: Marina Mercante

Quando chegamos, já era noite e, por isso, foi mais chato para achar o centrinho da cidade. Mas ela é tão pequena que não demoramos tanto. Fomos direto à agência de turismo Atacama Connection, na qual os passeios dos três dias seguintes já estavam reservados. Como havíamos transferido do Brasil a metade do valor (pela Western Union), era a hora de pagar o restante. O problema foi que a cidade estava lotada (inclusive de brasileiros) e as casas de câmbio já estavam com pouquíssimos pesos chilenos. Pagamos a maior parte em dólar e deixamos para trocar o dinheiro no dia seguinte. Depois coloco aqui os preços dos passeios - Geyser El Tatio, Valle de la Luna, Laguna Cejar e Lagunas Altiplânicas.

Ainda na correria (férias para descansar? o que isso significa?), fomos ao hostal El Monte, que também estava reservado. É um pouco afastado, mas muito legal. A dona do local, Ester Salvatierra, esperava por nós. Os quartos são pequenos, mas quentinhos e arrumados. Há ainda internet na sala de estar e é possível lavar roupa a 5.000 pesos chilenos. Por fim, voltamos ao centro para jantar. Nesta viagem, sempre comemos tarde e com muita fome. Resultado: sempre saímos dos restaurantes "daquele jeito", de taaaaanto comer! Além do mais, descobrimos que todo prato individual serve para duas pessoas. E, quando quisemos dividir, não foi suficiente! rs

Dormimos logo porque no dia seguinte teríamos de estar de pé às 4h da madruga!!! Nem imaginávamos o que vinha pela frente...

-> Preços dos passeios pela Atacama Connection:
Total: 71.000 pesos chilenos por pessoa
Geyser El Tatio: 20.000 + 3.500 (entrada)
Valle de la Luna: 8.000 + 2.000 (entrada)
Laguna Cejar, Ojos del Salar e Laguna Tebinquinche: 15.000 + 2.000 (entrada)
Lagunas Altiplanicas + Salar de Atacama: 28.000 + 6.000 (entrada)

Obs.: as entradas são pagas nos dias dos passeios, é preciso levar o dinheiro trocado.
Obs.2: Todos esses passeios são feitos em vans da agência. Nossos carros ficaram no hostal, que tinha estacionamento. Para se locomover na cidade, também não é preciso carro. O El Monte é meio distante do centro, mas se houver disposição para andar, sem problemas.